quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O coveiro

O drama de levantar
faz que o coveiro
cante todos os dias
canções com um leve tom de
alegria.
                                   (Ah, como é
                                    lindo um enterro)
Todos os dias acontecem
pelo menos
cinco velórios que
poderiam mudam a vida
de qualquer um,
menos um coveiro.
                                   
(Ah, como é
                                    lindo um enterro)
Numa madrugada
sórdida ele decide
orar:
- Deus, faça chover
sangue. Deus, faça
chover sangue para
cada lagrima que deveria
ter derramado.
                                   (Ah, como é
                                    lindo um enterro)
Durante três dias
o céu fora o mais
lindo dos últimos
anos,
até que choveu. 
                                   (Ah, como é
                                    lindo um enterro)
Choveu enquanto o
coveiro enterrava
uma menina gravida
os soluços de vida
vinham junto dos
de morte.
                                   (Ah, como é
                                    lindo um enterro)
E assim o coveiro
Largou sua pá,
deixou o sangue contaminar
o Amazonas.
Inundar a cova.
Molhar seu
corpo, sapatos.
Ah, como é
lindo um enterro.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Lagrimas, gemidos, sorrisos

Havia na rua uma garotinha madura
na rua.
Havia um cachorrinho feliz com
sua dona.
Havia um homem feliz com seu filho
lutando com o câncer.

A garotinha tomou um gole.
O cachorrinho tomou água.
O homem provou a comida.

O homem vomitou sangue,
O cachorro cagou na calçada,
A garota derramou saliva em outras
bocas.

      (antes de dormir)

O cachorro curou o choro
de um mundo todo.
                                   (um coração)
O homem quebrou o seu nariz
e de seu filho.
                                   (um coração)

A garota se deitou no corpo
de outro...
Lagrimas
sorrisos
gemidos

Quando acordaram se tentaram
sorrir
mais um dia,
mais um ônibus
Mais um abanar de calda

Lagrimas
gemidos 
sorrisos

Havia na rua uma garotinha
madura
Havia um filhote feliz
Havia um senhor
sem motivos para viver
havia uma criança que gravida
de descordia recitava imaturidade.

domingo, 15 de novembro de 2015

Como o pedreiro Zé escreveu a Ode contra a burguesia antes de morrer


 O pedreiro Zé era um homem simples porém letrado, frequentara a escola até o segundo ano do ensino médio. Foi obrigado a siar quando sua mãe morreu de tuberculose, teve que sustentar a si e mais irmãos e foi assim que ele se tornou pedreiro.
Cinquenta e dois ano depois ele estava saindo de sua casa aonde vivia com a patroa e sua filha mais nova, Pâmela, que 
era sua xodó entre as outras duas e o rapaz mais velho.


 O pedreiro Zé trabalhava apenas em grandes obras, de grandes condomínios, obras destinadas a burguesia.
Zé estava em sua obra, tijolo por tijolo construía o quarto apartamento de uma senhora que odiava o Brasil, mas amava a maneira de ganhar dinheiro aqui, por isso vivia na frança mas todos os seus investimentos estavam na bolsa de São Paulo. o Mestre de Obras não perdoava, a obra estava atrasada mas a culpa não da peãozada, culpa era do tempo. O mestre de obras era um branquelo quer tinha matado uma mãe gravida que fumava pedra na 13 de março na época da faculdade, ele furava fila, vendeu o voto, estacionava em lugares indevidos e subornava, e para alguns, ele era um homem digno.
Enquanto almoçava, um grupo de 5 homens entrou no canteiro de obras, trés deles com duas bolsas cada. Um dos seguranças foi impedir e levou um tiro na testa, todos se assustaram, o refeitório aonde Zé estava ficava bem de frente ao local da morte do segurança e ao ver aquela cena a primeira coisa que ele fez foi correr para se esconder dentro da obra. Zé rezou enquanto ouvia barulho de tiros, o mestre de obras morreu, o dono da construtora que estava lá morreu também. nenhum pedreiro foi baleado. 
 O pedreiro Zé estava rezando para todos os santos, quase vendeu sua alma ao Diabo desde que ele o fizesse sobreviver a aquilo, a única coisa que se ouvia eram urros e som de latas de spray sendo usadas, zé não quis sair, estava amedrontado demais, pensava em sua querida filha e seu tosco sonhe de te uma sandália Melissa, em tua mulher, em tua vida inteira, que foi voltada a construir casas e apartamentos para a burguesia, mas viveu a vida inteira de aluguel. Enquanto ele chorava o silencio do nada se tornou absoluto, ate que começaram as explosões, os prédios foram explodidos com bombas caseiras e dinamites roubadas de minas de carvão, zé rapidamente se tocou que nada daquilo fez sentido na sua vida, o que fazia sentido foi ter feito tudo aquilo por alguém, e seu ultimo ato em vida foi escrever uma ode contra a burguesia que nunca foi lida. Foi escrita em sua mente, com sangue como tinta, com faíscas de concreto como papel.
 No outro dia anunciaram a morte de todos os membros de alto status da construtora e a de apenas um único pedreiro, junto com a prisão de cinco membros de uma divisão anarquista extremista. A morte de Zé foi um acidente.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Alguma coisa

Quando você corria
não via outro motivo
alem de perseguir minha
felicidade, para tentar
ter a sua.
Não foi bom
Não,
nós fizemos o eterno durar menos
que um banho

Decidimos andar de mãos dadas

pois o frio que Deus nos deu
já não estava conforme o 
nosso cobertor, nosso frio
falso frio
quarenta graus de ilusão faz
mal a cabeça

Ai, você toma a aspirina
e vê que nada mudou
não se tem mais febre
nem resfriados
O cobertor ficou mais quente
e nada faz sentido
O que você
entendeu?


sábado, 24 de outubro de 2015

Coisas ruins acontecem a todos

Não grite, coisas ruins acontecem
para todos, acredite, o mal
pode vir a favor do
futuro bem.

Quando perdi meu primeiro 
emprego, lembro que não
foi fácil acertar as contas
não recebi nenhum centavo,
mas aprendi a verdade sobre os patrões
que o dinheiro vale mais do
que a amizade, sempre.
Quando se esta na pele do patrão.

Quando minha mulher me trocou
percebi que nada era eterno
e o amor é finito,
o amor próprio vale mais
ninguém é melhor do que nós
mesmos,
mas sem egoismo, por favor
se não massacrarão você.

Sempre vai haver alguém
triste com o amor
sempre vai haver alguém
triste com o trabalho,
família
filhos, nunca espere
bons conselhos vindos
de mim, sou um escritor e quando
der merda vou dizer frases de efeito.

Só toma  vergonha na cara
e um pouco de auto estima
pois tem coisas mas 
vem para o bem.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Medusa, aquela gostosa

Fui jogado em um ninho de serpentes
todas me morderam tão suavemente
eu comecei a morde-las suavemente,
foi truculento, nos beijamos.

Sim ficamos no mar, enquanto sou teu mistério
parece que me deram a chance
de te conhecer, o jogo virou.
Brincando com a minha idade, jogando búzios
virando um gato
virando pato, guerreiro.
Medusa.

Medusa me enforcou rápido e sem piedade
Ela poderia ter me petrificado com
teu olhar mas ela me tirou o ar
ela me sufocou e me mordeu,
foi truculento,
mas nós se beijamos.

domingo, 18 de outubro de 2015

Deus esta na chuva


 Bom, tenho que falar sobre ela, lembro-me tão pouco essa situação, lembro-me dos sentimentos.

Foi forte, naquela dia eu não andava raciocinando muito, apenas tocava Disorder na minha cabeça, batia forte na minha imaginação as coisas urbanas, “Quem sou eu na fila do pão?", pensei, conclui que ninguém, conclui que eu era tudo. Conclui que era filho do urbano.
 Eu tinha que olhar para duas realidades da minha cidade, o bairro, as favelas e malocas e o centro, seus condomínios e suítes, era uma honra ver o lado simples e ver o lado do simples Caos. Um trago ao meu trabalho capitalista. “Eu tenho o Amém do bar?”.

Amém.

 Lembro-me que esta mulher andava olhando vitrines demais, andava querendo demais e comprando demais.
Demais mesmo era tua silhueta, corpo magro malhado na academia e postado no Instagram (foram duzentas curtidas. DOZENTAS!!!). Enquanto ela olhava deslumbrada ela me seduzia, aquele dragão em tua pele morena me fazia suspirar, dava pra ver uma tatuagem que deveria subir de seus pés ate a bunda, maldita imaginação masculina e heterossexual, eu vou matar ela (se possível).
 Fazia tempo que não tirava sorte daquela maneira, ela quis um vestido, o vestido não tinha do tamanho dela, iria chega semana que vem e anotamos seu telefone para avisar-lhe quando chegasse, não ligamos, pois afinal o vestido não chegou. Mas ela veio à loja, “POOOOOOOOQUÊÊÊÊ MEU DEUS!”, berrei com meus olhos direcionados a ela, mais linda do quê antes, com outro vestido, um vestido verde, ela queria comprar um vermelho.
 Ela ficou frustrada, nem de longe ela sabia lidar com isso, disse palavrão para o gerente, menosprezou a pobre faxineira. Quando ela estava saindo ela eu a parei e disse:
 - Calma, outros vestidos virão, ou até mesmo o qual a senhorita deseja.
 - Por Deus, quando é que vou ter um vestido lindo como aquele, só quero tê-lo, seria pedir muita a Deus isso? – Ela respondeu gesticulando de maneira ridícula. Eu respondi:
 - Sim, pois deus esta na chuva...
Ela reclamou com o gerente e fui demitido.