sábado, 26 de março de 2016

Orgasmo

Tem pessoas estourando champanhe
dentro de churrascarias caras,
nem mesmo eu que estou aqui, após a
loucura e a bebida pensarem em fazer
besteria.

Por dentro do copo de cachaça branca
o mundo vira uma grande refração.
Grande e inchado mundo, você não
da voltas demais para só um sorriso,
abraço
dor nas costas?
Uma menina de 14 anos acendeu um cigarro no
meu quarto, "isso não é ruim pra você na sua idade?"
"Cala a boca, você tem 17"

Ai depois dessa troca de ofensas nós
transamos.

Ela gritava, ela dizia que eu andava a machucando
e que ela não era assim antes.

Ela disse que antes vivia sobre uma maré incontestável
de algo que ela não entende bem o que era. Nem eu.

com tanto grito de gozo
os vizinhos acordaram,
nós gozávamos tanto
que eles sentiram inveja
por não saber gozar igual a mim.

O que eu sei é fingir orgasmos.

Sorrisos, alegria, paciência,
finjo te fé e sabedoria,
que gosto de ficar sozinho e assim,
ajudo o mundo a girar da maneira que deve
girar.
E VOCÊ?

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Colocando nosso amor a frente das coisas

Colocando nosso amor a
frente das coisas,
parece que tudo toma um
tipo de força diferente.
Uma vida em dupla pode ser menos
solitária porem mais complexa
isso não é problema

Eu vou continuar a repetir
que o verdadeiro romantismo esta
no memento em que se enroscamos
dentro do banheiro para tomar banho
juntos, na calcinha suja que deixou
jogada no quarto, ao dividir a escova
de dentes, ao dormirmos juntos.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Sorte ou revés

Eu vou te dizer uma
coisa, não quero lhe
magoar, mas tem
espada na minha garganta
quando ela sair não vai
te machucar
só te fazer pensar um pouco.

Já joguei os dados e
fui pra prisão
lá não existe visão
Copacabana
nota de cem
não existe sorte ou revés.

Por isso vou guardar o jogo
a casa e minha o 
Banco Imobiliário é meu,
prefiro me esconder
pois vocês não são meus amigos
não são meus amigos
não são meus inimigos

e se te magoei
um dia sairemos de
mãos dadas.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Lucy

Lucy falava que cogumelo
crescia rápido, cresce
fácil
é fungo, fácil.

Lucy andava na Rua augusta,
de saia bela bela Lucy
tinha belas maquiagens.

Afro, contemporânea, Doida
em passos dava tiros.

UM, DOIS, TRÊS TIROS DADOS...

tiros dados contra o alto,
direcionados ao céu,
furaram o peito, disseram
"Morra, falsa comunista!"

UM, DOIS, TRÊS TIROS DADOS...

Ninguém acertou Lucy, seu
peito já tinha buracos
furados a balas cobertos
em passos.

Passos dançados,
passos na Augusta.
Lucy é linda.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O coveiro

O drama de levantar
faz que o coveiro
cante todos os dias
canções com um leve tom de
alegria.
                                   (Ah, como é
                                    lindo um enterro)
Todos os dias acontecem
pelo menos
cinco velórios que
poderiam mudam a vida
de qualquer um,
menos um coveiro.
                                   
(Ah, como é
                                    lindo um enterro)
Numa madrugada
sórdida ele decide
orar:
- Deus, faça chover
sangue. Deus, faça
chover sangue para
cada lagrima que deveria
ter derramado.
                                   (Ah, como é
                                    lindo um enterro)
Durante três dias
o céu fora o mais
lindo dos últimos
anos,
até que choveu. 
                                   (Ah, como é
                                    lindo um enterro)
Choveu enquanto o
coveiro enterrava
uma menina gravida
os soluços de vida
vinham junto dos
de morte.
                                   (Ah, como é
                                    lindo um enterro)
E assim o coveiro
Largou sua pá,
deixou o sangue contaminar
o Amazonas.
Inundar a cova.
Molhar seu
corpo, sapatos.
Ah, como é
lindo um enterro.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Lagrimas, gemidos, sorrisos

Havia na rua uma garotinha madura
na rua.
Havia um cachorrinho feliz com
sua dona.
Havia um homem feliz com seu filho
lutando com o câncer.

A garotinha tomou um gole.
O cachorrinho tomou água.
O homem provou a comida.

O homem vomitou sangue,
O cachorro cagou na calçada,
A garota derramou saliva em outras
bocas.

      (antes de dormir)

O cachorro curou o choro
de um mundo todo.
                                   (um coração)
O homem quebrou o seu nariz
e de seu filho.
                                   (um coração)

A garota se deitou no corpo
de outro...
Lagrimas
sorrisos
gemidos

Quando acordaram se tentaram
sorrir
mais um dia,
mais um ônibus
Mais um abanar de calda

Lagrimas
gemidos 
sorrisos

Havia na rua uma garotinha
madura
Havia um filhote feliz
Havia um senhor
sem motivos para viver
havia uma criança que gravida
de descordia recitava imaturidade.

domingo, 15 de novembro de 2015

Como o pedreiro Zé escreveu a Ode contra a burguesia antes de morrer


 O pedreiro Zé era um homem simples porém letrado, frequentara a escola até o segundo ano do ensino médio. Foi obrigado a siar quando sua mãe morreu de tuberculose, teve que sustentar a si e mais irmãos e foi assim que ele se tornou pedreiro.
Cinquenta e dois ano depois ele estava saindo de sua casa aonde vivia com a patroa e sua filha mais nova, Pâmela, que 
era sua xodó entre as outras duas e o rapaz mais velho.


 O pedreiro Zé trabalhava apenas em grandes obras, de grandes condomínios, obras destinadas a burguesia.
Zé estava em sua obra, tijolo por tijolo construía o quarto apartamento de uma senhora que odiava o Brasil, mas amava a maneira de ganhar dinheiro aqui, por isso vivia na frança mas todos os seus investimentos estavam na bolsa de São Paulo. o Mestre de Obras não perdoava, a obra estava atrasada mas a culpa não da peãozada, culpa era do tempo. O mestre de obras era um branquelo quer tinha matado uma mãe gravida que fumava pedra na 13 de março na época da faculdade, ele furava fila, vendeu o voto, estacionava em lugares indevidos e subornava, e para alguns, ele era um homem digno.
Enquanto almoçava, um grupo de 5 homens entrou no canteiro de obras, trés deles com duas bolsas cada. Um dos seguranças foi impedir e levou um tiro na testa, todos se assustaram, o refeitório aonde Zé estava ficava bem de frente ao local da morte do segurança e ao ver aquela cena a primeira coisa que ele fez foi correr para se esconder dentro da obra. Zé rezou enquanto ouvia barulho de tiros, o mestre de obras morreu, o dono da construtora que estava lá morreu também. nenhum pedreiro foi baleado. 
 O pedreiro Zé estava rezando para todos os santos, quase vendeu sua alma ao Diabo desde que ele o fizesse sobreviver a aquilo, a única coisa que se ouvia eram urros e som de latas de spray sendo usadas, zé não quis sair, estava amedrontado demais, pensava em sua querida filha e seu tosco sonhe de te uma sandália Melissa, em tua mulher, em tua vida inteira, que foi voltada a construir casas e apartamentos para a burguesia, mas viveu a vida inteira de aluguel. Enquanto ele chorava o silencio do nada se tornou absoluto, ate que começaram as explosões, os prédios foram explodidos com bombas caseiras e dinamites roubadas de minas de carvão, zé rapidamente se tocou que nada daquilo fez sentido na sua vida, o que fazia sentido foi ter feito tudo aquilo por alguém, e seu ultimo ato em vida foi escrever uma ode contra a burguesia que nunca foi lida. Foi escrita em sua mente, com sangue como tinta, com faíscas de concreto como papel.
 No outro dia anunciaram a morte de todos os membros de alto status da construtora e a de apenas um único pedreiro, junto com a prisão de cinco membros de uma divisão anarquista extremista. A morte de Zé foi um acidente.