terça-feira, 26 de junho de 2018

Mãos sujas de sangue

Há mão sujas de sangue
que não fazem justiça,
pois os documentos da
corrupção só podem ser
assinados com
tinta
vermelha.

Quando o choque vem,
ele não para,
parece um trem em fúria,
mas parecem ter menos
consciência que um trem
desgovernado,
que funciona como
o braço armado do estado.
Ser militar é abrir mão
da consciência e
amar o que não
ama

“Iluminado, você esta
engando ser militar não é
ser o braço armado, mas
sim o Martelo da justiça”
Meus caros. Enquanto o martelo
quebrar dentes de crinças, matar
matar antes de julgar
e dizer que existe cor de favelado
O militar será chamado de
Braço Armado.
Tu serás eternamente
responsável pelo
humano que
matas
Quanto custa uma caneta?
Um ou dois reais talvez.
Caneta BIC, caneta comum.
Tem caneta tinteira que
custa mais do que cabe na
minha carteira que você pode
substituir a cor da tinta
Quem ama caneta tinteira?
Geralmente juiz, Geralmente
deputado.
“Como vai o dia senhor”
“Como vota, deputado”
“Escora no muro vagabundo”
Qual das perguntas é dita pra
quem ganha um milhão?

terça-feira, 19 de junho de 2018

TV ZEITGEIST

Era um jantar normal, é reunião, e o réu na mesa de jantar. Julgamento e sorriso, bronca e abraço, jantar normal.
Luxos não são preocupações, falta deles nem tristeza mas na casa tinha duas TVs, uma moderna como qualquer moderna, fina com acesso a internet é tudo mais, parece que ainda ter uma TV grande é símbolo de uma grande família prospera. É a felicidade do pai e o conforto dos demais.
Mas a filha mais velha está confusa e magoada.
A velha TV de tubo ficou no em seu quarto, é usada mais para dar a um barulho ao ambiente, o gato deita do seu lado na noite que ela resolveu prestar atenção na imagem e som. Andar na avenida é ato de liberdade para alguém que não interage com quase ninguém. a avenida Suaçuna deve ter seus 1500 metros no minimo até o terminal ouro verde e ir e voltar ela é uma opção extremamente entediante, mas na noite que não se tem o que fazer você vai andar na avenida Suaçuna. Mas aquela noite ela preferiu o quarto o gato e a TV. A janta era sempre entre o jornal das sete e no maximo até o fim do jornal das oito, a novela das nove é sagrada. A filha mais velha assiste o primeiro episodio de novela em muito tempo, mas assistir de verdade, prestar atenção no enredo e aturar os anunciantes. Toda novela é uma junção entre diversas historias que acontecem ao mesmo tempo com personagens interligados. Uma dessas historias é sobre o médico gay que noa se assume, gosta de usar roupas femininas enquanto é traçado. Eles tentam fazer polemica. E no final conseguem, entram os anunciantes, uma marca de cosméticos anuncia sua nova linha de batons com um homem se maquiando e uma mulher acima do peso, existe a quebra expectativa e para poucos, UMA NOVA POLEMICA. Homens e mulheres acima do peso usam maquiagens mas parece que é mais fácil pensar que não. Aleatoriamsdte a gora se lembra que isso é normal e que morar com o padrasto é chato e pensar em sair pra andar na avenida de novo, não há que fazer na avenida, mas para ela há apenas um pingo de esperança nela. O horário da novela acaba e entra o ultimo jornal da noite, sim. Esse mesmo, o jornal daquele velho racista. A economia continua ruim, a esquerda demonizada, o futebol ainda marca gols e no final tem a hora daquela coluna daquele ex diretor de cinema babaca. Ele diz que a muitos direitos sendo dados para que não merece. A classe politica e os homossexuais. o Jornal acaba, em seguida passaria Philadelfia no corujão da madrugada. Se existe algo que da mais dinheiro que a pornografia e o ativismo e a hipocrisia das grandes mídias. A garota nem reflete mais sobre isso e agradece ao amor de seu gato ao aturar os fortes abraços e ainda ronronar,o que importa que talvez o rapaz que tanto ama esta próximo ao banco Bradesco mesmo que seja uma da manhã, essa esperança no coração mantem o amor vivo e melancolia ao lado, bem próxima. Ela sente falta do amor de sua vida, mesmo que o mundo acabe. Entre a esquerda e a direita sempre existirá alguém no meio em sofrimento

terça-feira, 12 de junho de 2018

Feliz dia dos namorados

Apesar do mundo que
vivemos, eu ainda
te amo.


apesar da minha
culpa, eu ainda te amo,

e os gatos não dão espaço
e roupa não seca
a sede não acaba

E o mundo que eu enforquei
deixei pendurado no
banheiro,

e nos dias que ela
desce das cordas, você
é meu calço.


E o amor dentro de casa
é o mesmo que esta na calçada,
na cama de motel
no papelão na calçada.

O amor não cura,
o amor não vence a guerra
o bem perde para o mau
a morte é eminente
eu ainda te amo.


terça-feira, 11 de julho de 2017

Inside (Ou o Sustentável peso do fictício) Pt. V

CAPITULO V – VOCÊ ENTENDEU POR QUE NÃO VÊ A LUZ DO DIA?


A vontade dizer “oi meu amor, você voltou” era grande, mas ele estava bravo comigo, seria muita sacanagem, mas a presença dele me alegrou, acabou, vou finalmente respirar direito, sentir menos dor, vou usar camisetas apertadas e não vai ficar um buraco marcado nela e nem vou mais sujar as roupas de sangue só por estar com elas.
Eu sorri e perguntei o que ele carregava numa sacola muito pequena que ele carregava. Ele foi direto, porém sem esconder seu cansaço disse:
- Amigo... Precisamos conversar.
A gente sentou no sofá, liguei a tv, passava o jornal da madrugada na Band News, não sabia o que dizer, até que perguntei:
 - Afinal, por que você quis sair de novo? E por que você ta assim, ta machucado?
Ele, com aqueles olhos pequenos me assustava, eram olhos não envoltos de pele ou de pelos dentro de um globo ocular natural e anatômico, eram olhos meio saltados que me assustavam por não parecer naturais, eles estavam baixos, até que olharam diretamente pra mim, pareciam olhos de peixes vivos colados com Super Bonder em um coração dilacerado, olhos loucos, que da boca que era um simples buraco sem lábios que era fácil ver alguns dentes, que nem busquei entender o como eles nasceram num musculo sem ossos e que teoricamente nunca precisaria de dentes para sobreviver:
- De novo, eu fui pros confins do mundo pra corrigir suas cagadas e a vitima dela quase me matou com um martelo de amaciar carne.
Não sabia o que dizer, houve um silencio mortal, mas curto, logo perguntei:
 - Por que você faz isso? Isso não faz mal pra você? Eu sempre fico muito mais cansado quando você não esta. A gente precisa um do outro, eu acredito nisso. Se eu te fiz algo me desculpa eu não percebi.
- A culpa não é minha, se toca disso. Serio, agora e eu entendo a dor da isabela, e eu to muito puto com você.
A cada momento que eu falava eu me sentia menor, oprimido. Minha pequena sala ficava MENOR, MENOR, E CADA VEZ menor, mínimo. Eu pensava se sempre que minha mãe dizia que eu tinha coração grande, era uma situação dessa que ela imagina que eu iria passar, crescer e sumir, A tristeza naquele momento, eu não sentia, nem a alegria, nem a raiva que meu coração sentia naquele momento, a raiva de mim mas não a raiva de mim mesmo.
Uma entidade independente, que cresceu e amadureceu diferente de mim, que não aprende, que não cresceu, e esta amadurecendo e os problemas psicológicos são segurança para os que não entendem o mundo. Depressivos são poucos comparados aos que são melancólicos e infelizes mas todos tem uma chance, ou arrumam a casa, ou jogam tudo debaixo do tapete e infelizmente demorei para entender isso, só fui entender no momento que meu coração se deitou sobre a minha mão e disse:
- Você me culpa pela merda que você é, você não é único, você tem seu emprego, casa que no fundo você escolheu passar por isso, claro que as opções são poucas, mas de todas as decisões que mudaram sua vida você deve lembrar de no máximo duas.
Sabia que os sentimentos são criados na sua cabeça? e que os japoneses do período feudal sentiam o amor na barriga?
 - Mas... Mas...
Eu não sabia o que responder, mas queria responder, então eu perguntei:
- Por que você saiu pela primeira vez? Quando você voltou eu nem percebi que tinha chegado, nunca tinha dito nada.
Ele de maneira fria respondeu.
- Eu só queria viver, ter sentimentos, eu viajei na garupa de caminhões, conversei com todos os bêbados e loucos de BR que eu achei pelo caminho. Eu fui gentil, engoli preconceitos da humanidade e não disseminei nenhum tipo de ódio, disse bom dia para qualquer um que me vesse, me chutaram, outros me amaram, a maioria pobre igual a você, mas nem todos eram pobres financeiramente, mas sim de espirito. Não suportei ver você se vender a tanta coisa inútil e isso te fazer mau. Eu tive que sair.
Conversa veio e conversa foi. Eu tinha a convicção do lixo que eu era e como deveria me concertar. No final de tudo, viramos amigos pois vivemos juntos a vida toda, lembrando do meu primeiro beijo e do momento que eu ouvi “No surprises” do Radiohead, tocando na rádio, entre as paradas de sucesso e do dia do meu casamento, o dia mais feliz da minha vida. Ele pegou a sacolinha e disse:
- Tira a camisa, vamos dormir.
Abri um sorriso e fiz o que ele mandou, ele me escalou, se encaixou deixado só os braços pra fora, ele tirou um negocio meio esbranquiçado e o comeu de uma vez, deu pra saber que era crocante pelo barulho que fez a mastigação, eu perguntei:
- Somos realmente amigos a partir de agora?
Ele demorou pra responder devido a mastigação, e quando engoliu comecei a sentir novamente os batimentos e o sangue correndo pelas veias, mas parecia que algo queimava por dentro, estava doendo muito, minha garganta pareica que começava a fechar, então ele respondeu:
- Você diz que via mudar, mas no fundo não muda, já disse isso milhares de vezes, mas ainda é a mesma coisa, eu não acredito em você, nunca serei feliz com você.
A dor começou a aumentar:
- O que você comeu? O que é isso!?
Meu coração respondeu:
- Um pedaço de maçã regado a Cianureto de potássio.

FIM.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Inside (Ou o Sustentável peso do fictício) Pt. IV

PARTE IV – CORAGEM

Eu a encontrei finalmente, após andar muito, horas me irritando com o som dos meus passos, horas amando a liberdade. Se um dia eu querer enriquecer eu farei sapatos para corações aventureiros como eu, o asfalto machuca muito, temos que ficar correndo das pessoas que não olham para baixo à não ser se fora para olha a tela  de seus celulares e quando algum animal resolve tentar nos comer, eu tive que matar um pássaro e um rato usando uma faca de plástico suja de lasanha, mas eu a encontrei, sim, eu a encontrei ela no Cambuí, ela passou por mim como se nunca tivesse me visto na vida, ela me conhece muito bem, sei disso. Comecei a segui-la até ela entrar na farmácia, estava cansado demais, mas não podia perder a oportunidade. Ela pegou dois pacotes de absorventes e passou pela sessão de dietéticos e chegou na prateleira de preservativos, colocou um na cesta de comprar, e dois pacotes na bolsa de colo que carregava bem junta a cesta, quando ela ia colocar dois tubos de lubrificante na bolsa eu disse
- Precisas realmente roubar para sentir prazer?
Ela se assustou e deixou os tubos caírem, deu um grito e correu, deixando a cesta quase cair em ciam de mim, o dono da farmácia se assustou e ficou sem entender o que aconteceu e permaneceu parado no balcão vendo a cena. Senti uma grnade euforia e corri tanto que consegui alcança-la:
- Isa espera. Eu quero conversar.
Ela parou gélida, travada e se virou e demonstrando o medo que sentia disse perguntou:
- Quem é você? Que porra é você?
- Eu sou um coração, o coração do seu ex-marido, não quero fazer mau nenhum a você apenas quero conversar. Tem coisa que preciso lhe dizer.
- Então é verdade.. Respondeu Isa surpresa – Então é verdade o que a minha mãe me dizia, que quando um alguém é muito irresponsável com seu coração ele pula do peito das pessoas e sai por ai, voltam e nunca se sabe exatamente o que acontece com eles.
- É mais ou menos isso, podemos sentar em algum lugar e conversar?
Engolindo o medo ela respondeu:
- Sim, preciso ir pra casa, pode ser lá?
Respondi que sim e ela me ofereceu um espaço na bolsa dela para eu descansar. Fomos e quando chegamos ela me deixou em cima de uma pequena mesa de cozinha, ela morava numa kitnet bem pequena mas bem organizada, fofa com as paredes num tom bege, tinha um fogão, geladeira, um sofá cama, tv e um armário que parte era pra roupas outra para as comidas e utensílios de cozinha. Ela se se sentou à mesa e perguntou:
- Eu só estou te ouvindo, pois nunca que um coração parou pra falar comigo. Então pode falar.
 - Eu me sinto culpado, mas estou falando de mim, o coração, aquela noite segundo ele foi um acidente mas não posso afirmar isso, eu não tenho olhos. Tudo que acontece há minha volta nunca é visto, é apenas sentido. Eu senti você esmurrando o peito dele e a respiração dele ficando mais forte, eu tinha raiva e muito medo, sentimentos são meus alimentos e o de qualquer coração Isabela, e nunca temos a opção de negar a comida ou de vomitar o que comemos muito pelo contrário, temos que engolir tudo, socam essas coisas na gente e falam que nós somos burros. Queria lhe dizer que te amo, pois você me alimentou das melhores coisas, coisas que valiam a pena viver e vim pedir desculpas...
Ela estendeu sua mão, como um sinal para eu parar de falar, logo disse:
- Ele, quase me matou. Você veio pedir perdão.
- Eu sei mas eu quero te sentir de novo, e foi ele que fez isso, eu não fiz nada... Poderias estar tentando te reconciliar. Mas não é isso, eu quero apenas o perdão, apenas sentir paz.
Ela parou e me olhou, ficamos em silencio por uns instantes, ela perguntou?
- tudo de bom que você sentir ele vai sentir?
- tudo que eu sentir ele vai sentir – logo respondi
Ela se levantou e foi no armário e pegou um martelo de amaciar carnes:
- Ele me estrangulou, aquele filho da puta quase me matou por causa de ciúmes, eu não quero nada de bom, ele não merece, eu não te perdoo e nem ele!!! FILHAS DA PUTAAA!!!.
Ela me bateu com aquele martelo, me bateu tanto que fez um buraquinho em mim, e eu sei que toda aquela dor ele sentia ao mesmo tempo, pois eu era capaz de controlar aquilo e eu queria que ele sentisse isso, desgraçado. Isabela me jogou pra fora do apartamento. Levantei bambo e fui embora.
Demorei, mas cheguei em casa. Bati na porta, ele abriu e quando me viu abriu um sorriso:
- O que tem na sacolinha? - Perguntou ele, com um sorriso estampado:
- Amigo...  Precisamos conversar.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Inside (Ou o Sustentável peso do fictício) Pt. III

                                         PARTE III – AS BATIDAS DO SEU CORAÇÃO PARARAM

Cheguei em casa, outro dia normal, troquei o lençol e tudo que tava sujo de sangue, comi feijão com farofa apenas, liguei a tv. Noticias, propagandas, o peito dói, mais um episódio (a casa das brasileirinhas) , mais uma bronha, mais um café. O ultimo toco de cigarro, é difícil fumar na minha situação. Estou na minha casinha, com um frágil conforto.
Desde que eu me separei, nunca mais eu tive algum sentimento de inquietação, não tive euforia, nem surpresas, descontrole, alegria ou raiva, não senti mais nada além da tristeza, solidão e não é coisa de fase, é solidão real eu moro numa pensão.
O dia todo tem pessoas passando por mim, eu sentado no sofá em câmera lenta e todos trinta vezes mais rápido, me sinto um adotado pelo mundo, o mundo não me adotou por amor, me adotou para ser seu escravo. sinto exclusiva raiva de mim mesmo, que eu acho que é muito maior que qualquer raiva, não dou nome a esse sentimento. E também culpa, também tenho culpa. É muito difícil admitir culpa, mas nunca vi problemas em pedir desculpas, mas nunca tinha sido sincero, mas dessa vez eu queria ser, pela primeira vez eu senti a dor de alguém, ou senti dor por alguém, ou senti dor por ter feito dor em alguém.
Antes eu tinha alguém que esbarrava nos móveis, que queimava feijão por que se distraiu com alguma coisa na tv, um apartamento apertado vazio aperta o coração de quem nunca viveu sozinho.
Não é querendo me gabar, ante ontem foi o meu aniversário. Uma vez fizeram uma surpresa no trabalho, levaram bolo e bexigas, comemos tudo numa praça mesmo, bebemos, eu tinha amigos simples e humildes e que me amavam por quem eu era. Mas esse ano, só tinha uma bexiga meio murcha no meu quarto e ninguém tinha me dado ela por amor, eu peguei ela de uma moça que estava vendendo crédito do Ibicard com parcelas fixas e juros abaixo do mercado, nem sei como ela parou lá, as vezes eu trago tanta coisa inútil da rua, guardo todos os papeis de dentistas.
Eu fui dormir, nem pensei em fazer qualquer tipo de coisa, ironicamente eu acendi uma vela, parabéns pra mim.
Novo dia nova vida, acordei disposto, foda-se, vou me levantar. Esse vazio no peito me incomoda demais, mas estou vivo, sou capaz de superar a dor, só eu andar mais devagar que eu não vou ter tanta perda de ar.
Sorriso no rosto dentro do trabalho, o patrão fica feliz, a faxineira recebe um bom-dia, a supervisora recebe um sincero beijo no rosto “Como você esta?”
depois da minha pausa cai o retorno pra aquele sujeito que eu falava no outro dia, o que estava no carro, liguei, demorou pra atender, mas atendeu. Atendeu uma mulher: - Amigo, o Marcio tava falando no celular e bateu o carro num ônibus do cruzamento a 60 por hora, não aguentou um instante. Você é amigo? Quer ir no velório?
Eu não sabia o que dizer, eu matei Márcio. Desliguei a ligação de imediato, parei um pouco e falei pra minha supervisora o que tinha acontecido, ela disse:
-  Não se sinta mau por isso, ele que quis falar com você e pelo menos você não se identificou, se tivesse feito isso seriamos processados e você rodava junto!
Isso me acalmou mas minha cabeça ainda estava a milhão. Fui embora até mais cedo, pensar que fui responsável pela morte de alguém me deixou perturbado, mas minha meta estava batida e vou ganhar bem este mês, no caminho eu reparava no tanto de gente que sai do trabalho as seis da tarde e eu saindo todos os dias pelas nove da noite, eu trabalho menos que eles, ou trabalho mais só que em menos horas, pois trabalho apenas meio período. Esta tudo bem assim, tenho um pequeno mundo em minhas mãos só que eu não consigo sustenta-lo. No caminho um amigo antigo me encontrou, não o via fazia muito tempo:
-  A argentina é um bom lugar pra viver? Perguntei a ele.
- Olha, eu gostei, mas de uns dois anos pra cá não esta tão bem assim, a economia deles esta mais confusa que a nossa. Pelo menos a gente sabe que estamos na merda.
Rimos e eu respondi:
- Eu não penso em sair daqui, não tão cedo, ou não sei. E que nunca me imaginei vivendo fora daqui.
Fabio encheu seu copo, deu um gole e fez uma cara de “mais ou menos” para cerveja, ele tinha comentado que a cerveja por lá é muito melhor do que a vendida no Brasil, mas ele afirmou que é apenas questão de gosto:
- Tu tá trabalhando com vendas né?
- Eu tô num telemarketing.
- De vendas? Perguntou Fabio:
- Sim. E você?
- Tô trabalhando com tradução, do castelhano pro português.
Só gente arrogante fala castelhano pra se referir ao espanhol, o Fabio era muito arrogante, a gente se conheceu no terceiro ano do ensino médio, é de boa família, sempre teve tudo o que queria principalmente seu jeito esnobe que no fundo ele ama ter, porém é um cara legal, tem seus defeitos, ele é bem mais ou menos. Ele prosseguiu:
- Quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha, avacalha e se esculhamba – Deu um gole na “cerveza”, como ele dizia apenas pela força de habito de ter falado apenas ESPANHOL durante uns anos.
- Você esta bem cara?
- estou, oras!
Respondi meio sem jeito, nem sei por que ele disse. Não sei se ele realmente envacalhou na vida em algum momento. Tava tarde, voltamos pra casa com um sentimento de situação estranha que ocorreu.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Inside (Ou o sustentável peso do fictício) Pt. II

PARTE II – O PÁSSARO AZUL DIZ, PARA QUE VAI E QUEM FICA.

O mundo é bem perigoso para um coração que anda fora do corpo, geralmente as pessoas tem medo da gente, mas precisam de nós, é um pouco hipócrita mas eu as perdoo, meu amor, eu sou o símbolo do amor, eu sou um coração que não aguentava mais tanta comida engordurada e tragada de cigarro na cara.  Sai para dar um rolê, não sei quando volto, volto quando eu resolver duas questões pendentes.
Por favor, parem de falar que eu faço vocês agirem de maneira inconsciente, olha pra minha situação. Criei pernas e braços, estourei o peito do cara a onde eu morava e estou aqui, para resolver os problemas que a mente dele criou. Um coração não é tão bobo quanto você pensa.
Quando reparares em mim, ou em qualquer coração, peço que parem de ter medo, afinal, você também tem um coração, ele esta dentro de você, ou esta por ai, em uma jornada igual a minha, na verdade o que eu decidi fazer é algo raro de ser visto. Alguns se acomodam com a dor, eu não. Corações são vitimas do que eles deixam sofrer.
Eu precisava encontrar uma pessoa, eu tinha o conhecimento dos lugares que ela passava antigamente, não sei se frequenta os mesmos lugares ainda, eu tenho medo que não, sua vida deve ter mudado drasticamente, mas já se passou um ano. Mas o tempo é relativo? Será que realmente é? Eu acredito que sim. Minha vida de coração é trabalhar sem parar pra manter outra pessoa viva e geralmente sem ganhar nada em troca, a única coisa que eu ganho, são pequenos trocados de sentimentos, nem sempre é bom, mas é magico essa transição de diversos sentimentos. Eu amo minha existência, e por ama-la, devo deixar tudo resolvido, tudo calmo, tudo de bom, para que eu possa viver, com a consciência que vou sofrer por toda a minha vida, mas